Uma Figura de Linguagem ou uma Figura de Pensamento?
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Crítica ao conceito moderno de "estética" e suas implicações para a compreensão da arte.
- A definição etimológica do termo "estética" como percepção sensorial e sentimento, que se compartilha com os animais e é irracional.
- A identificação da abordagem estética da arte com a busca de reações emocionais, o que a conecta apenas à vida do prazer e a desconecta das vidas ativa e contemplativa.
- A observação de Alfred North Whitehead de que "foi uma descoberta tremenda saber como excitar emoções por si mesmas".
- A substituição da concepção tradicional da arte como virtude intelectual e da beleza como pertencente ao conhecimento por explicações psicológicas.
- A contradição inerente aos termos "contemplação estética desinteressada", considerados um contrassenso puro.
- A afirmação de que "não se pode discutir sobre gostos" quando o fim da arte é expressar emoção, tornando todo julgamento subjetivo.
- A equiparação do amor pela arte a um amor por sensações refinadas, que transforma as obras de arte em uma espécie de afrodisíaco.
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Defesa da "retórica" como a teoria da arte adequada, em contraste com a estética.
- A definição da retórica, com Platão e Aristóteles, como "a arte de dar eficácia à verdade".
- A distinção entre o que é dito para causar efeito e o que é dito ou feito para ser eficaz e deve funcionar.
- A condenação da sofística, ou arte da lisonja, que utiliza figuras por si mesmas, para exibir o artista ou trair a verdade nos tribunais.
- A tese de que se deve abandonar o termo "estética" e retornar a "retórica", a "bene dicendi scientia" de Quintiliano.
- A afirmação de que os princípios da arte não se alteram pela variedade do material em que o artista trabalha.
- A concepção da arte como uma transformação do material, a impressão de uma nova forma na matéria relativamente informe, análoga à "obra de adornamento" da criação do mundo.
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A natureza intelectual e universal da arte e do artista.
- A citação de que o artista, seja humano ou divino, trabalha "por uma palavra concebida no intelecto".
- A consciência, em fontes como Platão, da identidade fundamental de todas as artes, incluindo poesia, pintura, música, tecelagem, governo, entre outras.
- A definição do artista como "demiurgo" (demiourgos) e "técnico" (technites), que é infalível quando realmente possuído por sua arte.
- O propósito de todas as artes de suprir uma necessidade ou deficiência real ou imaginada do patrono humano.
- A crítica à distinção moderna entre arte "pura" e arte "aplicada", considerada ridícula, pois a própria arte pura é aplicada ao prazer.
- A visão platônica de que a mesma arte deve servir ao corpo e à alma, com a música e a ginástica nunca divorciadas na educação.
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Os fins espirituais da arte e o conceito de katharsis.
- A afirmação platônica de que a visão, a audição e a harmonia foram dadas pelos deuses para auxiliar a revolução interior da alma e restaurá-la à ordem.
- A distinção entre o prazer dos sentidos (hedone) para o não inteligente e a "quietação da alma" induzida pela imitação da harmonia divina para o inteligente.
- A definição de katharsis como uma purgação e purificação sacrificial, "consistindo em uma separação, tanto quanto possível, da alma do corpo", uma espécie de morte dedicada ao filósofo.
- A katharsis platônica como um êxtase ou libertação da "alma imortal" das afecções do "mortal", paralela aos textos indianos sobre a liberação.
- A crítica a Homero, por parte de Platão, por atribuir paixões humanas aos deuses e heróis e por imitações que calculam despertar nossas simpatias.
- A interpretação da katharsis aristotélica da tragédia como uma purificação das paixões (pathemata), e não um extravasamento ou indulgência periódica nelas.
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A teoria da imitação (mimesis) e sua relação com a verdade e a beleza.
- A afirmação de que todas as artes são imitativas e que a beleza da obra é proporcional à sua precisão (orthotes) ou verdade (aletheia).
- A correção da compreensão equivocada de "imitação" como significando "a mais fiel à natureza" no sentido limitado moderno.
- A citação de São Tomás de Aquino de que "a arte é a imitação da Natureza em seu modo de operação", referindo-se à Natura naturans, Criadora Universal.
- A definição tradicional de "semelhança" (homoia) não como uma cópia, mas como um símbolo natural e "adequado" de seu referente, igual (isos) e aparentado (sungenes) ao seu modelo.
- A concepção da obra de arte como iconografia, a fabricação de imagens ou cópias de algum modelo (paradeigma), seja visível ou invisível.
- A beleza da equação matemática como exemplo da forma única que é a forma de muitas coisas diferentes, participando da simplicidade de sua fonte.
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O julgamento da obra de arte: precisão, aptidão e o critério de "sanidade" (hygienon).
- A distinção entre julgar a obra pelo critério da arte (sua precisão ou verdade) e julgar seu valor humano (sua utilidade ou aptidão - opheleia).
- A combinação de precisão e aptidão para constituir a "sanidade" (hygienon) da obra, que é sua retidão final (orthotes).
- A afirmação de que a distinção entre beleza e utilidade é lógica, não real.
- A citação do Estrangeiro de Platão de que o juiz de qualquer obra deve conhecer sua essência, sua intenção (boulesis) e a coisa real da qual é uma imagem.
- A necessidade de o crítico especialista conhecer o arquétipo, se a representação foi corretamente feita e se foi bem feita.
- A crítica ao "homem estético" como aquele que é "muito fraco para resistir contra o prazer e a dor".
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A inspiração (entheos) e a função ministerial do artista.
- A definição de inspiração como uma influência sobrenatural que qualifica os homens para receber e comunicar a verdade divina.
- A correção do uso indevido moderno do termo, que sugere que alguém pode ser "inspirado" pela chuva ou por materiais físicos.
- A concepção do artista como ministro ou servo (hyperetes) de Deus, através do qual o próprio Deus (ho theos autos) fala e nos ilumina.
- A descrição platônica do artista como "indivíduo aéreo, alado e sagrado", incapaz de compor até estar possuído pelo Deus e fora de si.
- A afirmação de que "a loucura que vem de Deus é superior à sanidade de origem humana".
- A função sacerdotal ou ministerial do artista, cuja arte visa "recordar" e transformar nosso ser, não apenas entreter.
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A aplicação da arte à vida e a crítica à civilização industrial moderna.
- A concepção platônica de que as artes devem "cuidar dos corpos e das almas dos cidadãos".
- A crítica à fabricação para as necessidades do corpo apenas, característica da civilização moderna, em contraste com as culturas "primitivas" onde as necessidades do corpo e da alma são satisfeitas juntas.
- A defesa de um retorno a um nível de cultura em que não há distinção entre arte pura e aplicada, o que implicaria uma revolução econômica.
- A crítica à separação entre o motivo criativo e o motivo de lucro, que mancha a manufatura com a pecha de simonia.
- A condenação do sistema industrial como uma "abominação 'imprópria para homens livres'", que pressupõe dois tipos de fabricantes: artistas privilegiados e trabalhadores subprivilegiados.
- A visão do trabalho como vocação, no qual o artista não ganha salários por sua arte, mas trabalha por sua arte, e o prazer que tem nela aperfeiçoa a operação.
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A síntese final e o desafio à disciplina moderna da história da arte.
- A afirmação de que a maior parte do que é ensinado em departamentos de belas-artes, as psicologias da arte e as estéticas modernas são verbiagem que impede a compreensão da arte sadia.
- A definição da retórica que só se importa com a verdade como a regra e o método das artes intelectuais, enquanto a estética é uma falsa retórica e uma lisonja da fraqueza humana.
- O desafio mínimo de que não é pela nossa estética, mas apenas pela retórica deles, que se pode entender e interpretar as artes de outros povos e outras épocas.
- A conclusão com a citação de Thomas Mann de que "gosto de pensar – sim, tenho certeza – que um futuro está por vir no qual condenaremos como magia negra, como o produto irresponsável e sem cérebro do instinto, toda arte que não for controlada pelo intelecto".